Sobre os lucros

Essa é uma das melhores explicações que já li sobre a forma de enxergar a importância do lucro dentro de uma organização. Principalmente quando se está em jogo o propósito de uma marca:

“A lucratividade é uma condição necessária para a existência e um meio de se atingir objetivos mais importantes, mas não é um objetivo em si para muitas empresas visionárias. Os lucros são o que o oxigênio, a comida, a água e o sangue representam para o corpo; eles não são o sentido da vida, mas sem eles não há vida.”

Quando as organizações não olham para o lucro desta maneira, correm um sério risco de prejudicarem suas marcas. Se o objetivo principal de uma operação organizacional é apenas o lucro, como definir o que fará dela uma marca única? Afinal, todos os competidores querem ter lucro.

A questão do lucro em relação à construção ou reposicionamento de uma marca é um assunto de extrema importância e não deve ser deixado de lado em um planejamento desta natureza. Antes, é necessário refletir e tentar entender os dirigentes da organização a fim de poder decidir o que de fato é o propósito da marca. Marcas sem propósitos são sem graça e não conseguem gerar valor, nem para quem compra, nem para quem vende.

COLLINS, J; PORRAS, J. Feitas para durar: práticas bem sucedidas de empresas visionárias. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

A usabilidade como ferramenta para reduzir custos

Quando eu estava no quinto semestre da graduação, em uma das aulas sobre Merchandising lembro claramente um dos termos que o professor comentou e que me despertou muito interesse: “barreiras invisíveis”.

Tudo o que impede o consumidor de se sentir à vontade no PDV (ponto de venda), visível ou não, pode ser considerado uma barreira invisível para que ele concretize uma compra. Alguns exemplos são: degraus, sujeira, iluminação inadequada ou insuficiente, falta de etiquetas de preço, falta de atendimento, barulho excessivo, produto mais alto que o espaço da prateleira. É possível listar vários. Eu acredito que quem inventou o termo estava querendo tirar um sarro dos empresários, porque as vezes as barreiras são bem visíveis, mas os responsáveis pelo estabelecimento comercial não os enxergam.

Em uma loja, o gerente deve observar atentamente e todos os dias esses possíveis obstáculos que impedem o consumidor de realizar a compra dos produtos. Deve observar isso principalmente porque estudos apontam que mais de 70% das vendas são decididas no ponto-de-venda. E não dá pra negar essas estatísticas, porque muitas vezes vamos ao mercado para comprar dois ou três itens e saímos com dez ou vinte.

Dito isto, vamos agora ao ponto que motivou este texto: a usabilidade no design de interfaces de sistemas. Você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra. Acontece que o conceito de barreiras invisíveis pode ser utilizado também para analisar interfaces de sistemas. É impressionante como muitos sistemas são projetados sem levar em consideração o usuário.

Uma interface projetada sem levar em consideração as convenções do design, pode levar as organizações que utilizam os sistemas a perder dinheiro. Isso é sério!

Imagine um procedimento que deveria levar um minuto levando três minutos porque a interface faz o usuário ir de um lado para o outro, e voltar, e ir novamente. Depois de vários clique ainda é obrigado a aguardar um carregamento de muitas informações que não serão utilizadas naquele momento, depois de o sistema fazer diversas consultas, finalmente o procedimento é finalizado. Agora, imagine uma empresa com mil pessoas realizando procedimentos parecidos e essas pessoas todas levando três minutos para cada um, quando na verdade, com um sistema bem desenhado, levariam apenas um minuto. Ao final de um ano a diferença entre os custos de uma empresa com um sistema bem desenhado e da outra com um sistema mal feito seria de milhares de reais.

Então, da próxima vez que alguém falar sobre usabilidade no sistema que sua empresa está desenvolvendo, tente dar bastante atenção. Pois, não trata-se apenas de deixar o sistema “bonitinho”, ou com uns ícones legais, mas se o trabalho de usabilidade for sério, trata-se de economizar, de reduzir custos, de deixar mais tempo para que as pessoas possam realizar outras tarefas, investir mais em relacionamentos, pensar e outras coisas.

Concluindo, usabilidade tem a ver também com custos. Pense sobre isso!