Paradigmas da educação

Diante das discussões vistas em 22/07/19 na JOVAED, penso que existem ainda alguns paradigmas antigos presentes nos desafios vigentes da educação.
Um deles e talvez um dos que mais atrapalham é o fato de alguns professores pensarem ainda deter o conhecimento, ou pior, pensarem que são os únicos detentores do conhecimento em relação à sala de aula e seus aprendizes.
Isso faz com que ele evite abrir mão do controle e evitar sair da zona de conforto. O problema é que não temos mais controle e se não aceitamos isso, ficamos fingindo que estamos no controle, fazendo papel de bobo.
Em uma sala de aula existem diversos dispositivos conectados à internet e não adianta você ficar apenas em aulas expositivas jogando conteúdo na cabeça dos discentes, pois conteúdo eles mesmos podem encontrar na palma da mão.
Isso, porém, não significa que temos que demonizar as aulas expositivas. Elas continuam sendo importantes para determinados tipos de conteúdos, mas não podemos ficar apenas nelas.
Uma técnica compartilhada ontem por um dos palestrantes (Prof. Paulo Tomazinho) ocupa apenas 10% do tempo da aula (de uma aula expositiva) e pode fazer muita diferença para os alunos. Ele propõe uma avaliação diagnóstica, algumas perguntas para esquentar os motores e criar expectativa nos alunos no início da aula. Neste momento, já se identifica quem tem algum conhecimento sobre o assunto ou simplesmente cria a expectativa pelo que está por vir. No meio da aula, uma pausa para uma redação curta (reflexão) com os principais tópicos e no final ou um conjunto de questões novamente, para resgatar o que foi aprendido na aula ou então uma lista de itens que foram mais importantes e uma discussão para definir quais destes itens devem ser cobrados na avaliação somativa. Sensacional, simples e eficiente!

Flexibilidade na educação a distância

Em matéria recente do site Porvir as informações apresentadas diziam que a flexibilidade na educação a distância é o que os candidatos mais buscam nesta modalidade.

Uma pesquisa realizada pela empresa Sagah diz que 63% dos candidatos a estudar na modalidade a distância preferem a modalidade por poder estudar quando e onde quiser. No entanto, a mesma pesquisa apresenta a informação de que 90% dos alunos que estudam nesta modalidade o fazem em casa.

A flexibilidade é uma das principais vantagens da educação a distância (além do preço que normalmente é mais acessível e da linguagem utilizada que pode ser um conjunto de textos, áudio, vídeo e elementos interativos), mas só é vantagem de fato se o aluno souber aproveitar esse atributo da modalidade. E como aproveitar a flexibilidade?

Antes de iniciar uma graduação a distância, o aluno deve ter a consciência de que ele fará um curso superior e que, embora seja a distância, ele precisará dedicar tempo e esforço a esse projeto. E não é bom deixar tudo pra última hora. É importante ressaltar que a carga horária de um curso a distância e de um semelhante na modalidade presencial é a mesma. Então é necessário um planejamento de quantas horas poderão ser dedicadas exclusivamente aos estudos: para assistir as aulas, ler os materiais, fazer anotações, participar das discussões, planejar e executar trabalhos acadêmicos, enfim toda a rotina de um aluno de graduação, com a diferença de poder fazer a maior parte das atividades no conforto de casa ou no local que escolher para isso.

Caso o aluno escolha outro lugar para estudar, este lugar deve ter uma série de características que irão possibilitar um melhor aproveitamento. Parece óbvio, mas é comum ver pessoas estudando (ou tentando estudar) em meio a outras pessoas conversando, em frente a televisão, ou com o celular ligado e enviando e recebendo mensagens paralelas. Sim, esta é uma característica da geração atual de estudantes, mas sou induzido a pensar que o aproveitamento é melhor quando há concentração e foco nos estudos.

Daniel Goleman, psicólogo e autor de Inteligência Emocional, lançou um livro que fala sobre atenção e foco e em vários capítulos ele apresenta informações relevantes sobre os benefícios de se concentrar naquilo que se está fazendo, principalmente nesta época de avalanche de informações. Ele diz, por exemplo, que a grande quantidade de informações a que estamos expostos diariamente cria automaticamente uma pobreza de atenção, pois a informação consome nossa atenção. Logo, se não conseguimos prestar atenção, não conseguimos compreender, não podemos permitir que o sistema cognitivo faça o trabalho de absorver a informação, relacionar com outras informações e criar novos conhecimentos. Por conseguinte, não podemos aprender bem se não fizermos um esforço para ter foco.

A educação a distância tem muitas vantagens, mas é preciso aprender a lidar com as alterações que ela impõe ao aluno na forma de estudar. É preciso ações de comunicação das instituições que oferecem esta modalidade para educar o aluno. E também, e principalmente, uma postura ativa, senso de disciplina e planejamento por parte do aluno que quer aproveitar todos os benefícios desta modalidade.